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16/09/2022

Sem espadas ou super poderes, mas com muita literatura

Em contação de histórias emocionada conduzida por Giselda Perê, crianças e adultos aprenderam que heroínas são construídas por lutas diárias da vida. O dia na Feira Internacional do Livro também teve lançamento de livro, palestra, debate…

Sem espadas ou super poderes, mas com muita literatura

Em contação de histórias emocionada conduzida por Giselda Perê, crianças e adultos aprenderam que heroínas são construídas por lutas diárias da vida. O dia na Feira Internacional do Livro também teve lançamento de livro, palestra, debates e batalha de poemas

É preciso saber guerrear com espada para ser heroína? Usando essa pergunta como mote, a atriz e mestre em Arte e Educação Giselda Perê conduziu com encantamento o público presente à contação de histórias “Heroínas Negras”, uma das atividades da terça-feira, dia 23/8, durante a 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL). Com fala fluída e rimada, e usando sua própria história pessoal como alegoria, Giselda entregou às crianças e adultos a reflexão sobre como, sem espadas ou super poderes, as guerras da vida revelam forças escondidas e mulheres heroínas.

Murilo Pinheiro, Arnaldo Martinez de Bacco Junior e Ângelo Davanço

Enquanto algumas heroínas negras eram descobertas na Tenda Sesc, o jornalista Ângelo Davanço, o doutor em Educação Arnaldo Martinez de Bacco Junior e o editor Murilo Pinheiro participaram, no quintal da Biblioteca Sinhá Junqueira, da sessão de autógrafos do livro “Ribeirão Preto para Crianças”. A publicação, com textos de Davanço e ilustrações de Arnaldo Junior, apresenta a história da cidade de forma colorida, divertida e cheia de referências lúdicas para ilustrar, por exemplo, porque a rua Visconde do Rio Branco era chamada de ‘a rua do sapo’. “Em tempos tão tecnológicos, as crianças conhecem mais outras cidades do mundo do que a sua própria”, comentou Ângelo Davanço. “É comum as crianças conhecerem apenas o bairro onde moram e um shopping. Como professor, essa preocupação me acompanha há algum tempo e, nesse sentido, esse projeto proposto pela revista Revide é muito bacana”, emendou Arnaldo Junior.

O fato de ter foco no público infantil não limita o alcance do livro. A estudante Isabela Pereira da Silva, de 30 anos, foi uma das que quis autógrafo em seu exemplar. “É um livro bonito, alegre e historicamente muito interessante. Eu adorei”. O vendedor Vilmar de Almeida Gomes, 60, levou quatro unidades para casa. Duas para as netas, uma para a bisneta e outra para ele. “A criança que vive em mim não entende muito sobre todas as coisas e, por isso, segue lendo”, disse, feliz.

Existência e Resistência

Ryane Leão

Num encontro bastante concorrido, a poeta e professora goiana Ryane Leão conversou com o público que lotou o auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira sobre sua trajetória literária e seus desafios pessoais, e sobre questões como solidão, reconstruções e como habitar a dor. “A melhor forma de habitarmos as nossas tantas e diversas dores é acreditar que podemos”, enfatizou Ryane. A escritora também comentou o perfil colonial que ainda contorna a sociedade brasileira e como, nesse contexto, a resistência não adormeceu. “As insurgências sempre existiram. Existir e resistir é contínuo. A palavra não nos abandona. A gente que, às vezes, abandona as palavras”, sublinhou. Pela manhã, Ryane Leão participou do projeto Combinando Palavras, que reuniu mais de 1 mil estudantes adolescentes na sala principal do Theatro Pedro II.

Batalha na Cufa

E a palavra também deu o tom na Batalha da Art, atividade realizada no espaço Ambient de Leitura, na Esplanada do Theatro Pedro II. Com muita rima e poemas de crítica social e sentimentos diversos, oito jovens participaram da batalha, em duas fases, com confrontos eliminatórios, de semifinal e final. Realizado pela Central Única das Favelas (CUFA-RP), o evento envolveu a plateia de todas as idades e deu o recado da periferia com alegria e responsabilidade.

Rodrigo Trespach

Na Sessão 200 anos, o pesquisador e escritor gaúcho, Rodrigo Trespach, autor da obra “1824”, debateu a imigração alemã no Brasil. “A chegada dos imigrantes de língua alemã ao Brasil, a formação das primeiras colônias, no século XIX, e todas as dificuldades que os alemães sofreram no passado foram abordadas nesta obra”, disse o autor, destacando que muitas comemorações no Brasil são de influência alemã, como o Natal e a Páscoa. “O contexto e a simbologia dos ovos de Páscoa, assim como a do Papai Noel, são provenientes dos alemães”. Rodrigo Trespach, que também é historiador, destacou a importância da oralidade e de ouvir as histórias. “As pessoas que vivem nas cidades têm histórias. Infelizmente, hoje vivemos a época do individualismo, com poucas memórias afetivas e recordações. E como ficará isso?”, questionou o autor.

Sobre a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

A 21ª edição da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto aconteceu de 20 a 28 de agosto de 2022 e trouxe como proposta de reflexão o tema “Do Caburaí ao Chuí: a força da Literatura Brasileira”. A proposição embasou todas as atividades e debates do evento. A feira consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país: 21 anos de história e 20 edições realizadas. Em 2020, a feira tornou-se internacional e em 2021 realizou sua 20ª edição, pela primeira vez, no formato on-line, devido à pandemia do Coronavírus.

Realização: Ministério do Turismo, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e Fundação do Livro e Leitura apresentam a 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL). Patrocínio Diamante: Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient. Patrocínio Ouro: GasBrasiliano e Savegnago. Patrocínio Prata: Passalacqua, Premier Pet, Pedra Agroindustrial, Ribeirãoshopping e Riberfoods, Usina Vertente,Tereos e Vittia. Patrocínio Bronze: Supermercados Gricki, MazaTarraf, Tracan, Santa Helena. Patrocínio: Madeiranit, Usina São Martinho, Tarraf. Instituição Cultural: SESC. Parceria Cultural: Fundação Dom Pedro II – Theatro Pedro II, Alma – Academia Livre de Música e Artes, Biblioteca Sinhá Junqueira, Centro Cultural Palace, Instituto do Livro, CUFA, A Fábrica, IPCCIC – Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais, Teatro Municipal de Ribeirão Preto, AbaCare, Associação de Surdos, CAEERP, FADA, Fundação Panda, Ribdown, SOMAR. Apoio: ACIRP, Base Química , Cenourão, Combustran, DTEK, Durati Distribuidora, Lopes Material Rodante,Molyplast, Mialich supermercados, Santa Emília, Transmogiana,Tonin, Vantage – Geo Agro, ViaBrasil, Coderp, Transerp, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Secretaria de Cultura e Turismo, Secretaria de Educação, Secretaria do Meio Ambiente, Secretaria de Infraestrutura. Apoio Cultural: Convention Bureau, Colégio Marista, Diretoria de Ensino – Região de Ribeirão Preto, ETEC – José Martimiano da Silva, Educandário, SESI, Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda, Unaerp, NW3, Grupo Utam, Monreale Hotéis, Painew, Verbo Nostro Comunicação Planejada e Instituto Unimed.